Crônicas de mãe: A madrugada



É madrugada. 2h40 da manhã. Estou de pé te embalando pra dormir há alguns minutos. Teve um dia que você levou 2h30 pra adormecer. Hoje foi mais rápido.

A estrela nos ilumina. Não aquela do céu, mas a lâmpada que compramos na lojinha do bairro. Aqui no quarto são sempre duas. Ela com luz amarela e outra com luz rosada.

Por meio delas, posso ver levemente o contorno do seu rosto. Você está calma e com os olhos fechados. Você é perfeita, minha princesa. Seu narizinho arrebitado, suas bochechas carnudas. Os cílios grandes e definidos e a sua boca lembram a mamãe.

São poucos os traços físicos que nos aproximam, mas mesmo assim a conexão emocional contigo é maior do que qualquer outra.

Olhando pra você reafirmo o voto que fiz contigo na barriga. Filha, eu vou te proteger. Te proteger da ignorância, da grosseria, da maldade e do máximo que conseguir.

Queria te colocar em um pote e te guardar pra te livrar de tudo o que há de ruim neste mundo. Como não é possível, peço sabedoria a Deus pra te ensinar o caminho certo.

Afinal, a minha única certeza é que a partir de agora eu tenho um título eterno. Serei pra sempre sua mãe. Que eu consiga exercê-lo com maestria apesar de todas as minhas imperfeições e que você também sinta alegria em ser minha filha. Te amo.

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