É sábado à tarde.
Atrás de mim, pessoas vão e vem andando ou pedalando pela trilha. Há gente de todo tipo e acompanhada por várias categorias. Famílias, casais, pais com filhos, mães com filhos, adolescentes.Ao longo do trajeto, evangélicos distribuem panfletos. Católicos acendem velas. Idosos dançam ou, ao menos, tentam acompanhar o instrutor. Eu vim sozinha e isso me permite observar melhor o ambiente. A maioria que vem em grupo, só se atenta ao próprio bando.
À minha frente, a água tremula pelas ondas do chafariz recém ligado. O sol começa a se pôr e deixa a face do lago alaranjada. Por sua superfície, sobrevoam aves cujas espécies desconheço. Também passam patos e capivaras tranquilamente, o que fazem questionar o paradeiro do jacaré que aqui morava.
Abaixo de mim, formigas passeiam em bando carregando folhas e vez em quando um farelo qualquer de comida. Um senhor havia passado a pouco distribuindo milhos, furtivamente, já que o gesto - apesar de bem intencionado - é proibido.
Dentro de mim, uma vida se desenvolve. A gravidez é evidente e chama a atenção por onde passa, afinal, a nova vida já está quase prestes a sair. Ela tem nome, roupas, móveis e, infelizmente, pais com picos extremos de estresse.
O calendário marca o fim da prematuridade e a metade de mais uma folga de três dias, a segunda nesse novo cargo. Mas não tem sido uma folga feliz. Apenas o lugar. E que boa escolha ter vindo a um lugar bom.

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